Diz a lenda, de acordo com a tradição japonesa, que quem dormir com uma imagem do TAKARABUNE (Barco do Tesouro) debaixo da almofada, ou avistar um terá boa fortuna para sempre. Por isso desejo a todos o que visitarem este local, onde partilho o que me vai na alma, boa fortuna para sempre.

28/03/2011

A tormenta...



No meio de uma ponte me vejo
Entre a verdade e a mentira
Contra a mentira luto e me protejo
Mas a verdade para a tristeza me atira
E sou forçada a procurar abrigo
Para recatadamente as minhas mágoas chorar
Convulsivamente...maldigo...me fatigo
Com os olhos marejados de lágrimas
Tento decidir que lado devo optar
E apenas vejo o rio das minhas lástimas
Tento...mais uma vez...mas tudo é incerteza e confusão
Entre a mentira e a verdade
Tudo é difuso...as emoções em convulsão...
Procuro o meu refúgio
Para fugir, por algum tempo, desta crueldade
Que parece desaguar na falsidade e fatalidade
Terá sido tudo um leviano subterfúgio???????
As perguntas e dúvidas são como monstros
Surgem de mansinho...atormentam...
Respostas não as encontro...só desencontros!!!!!
Continuo no meu porto seguro
À beira praia, sob a protecção do mar
Onde um desejo murmuro...
Que as dúvidas cessem e eu consiga caminhar
Quer seja verdade...quer seja mentira...

04/02/2011

Um Sorriso...


"Dou-te o que tenho de melhor...o meu sorriso"



Um sorriso vale por mil palavras,
Um sorriso revela pequenas estrelas cintilantes
Que cá de dentro emergem cativantes
Brotando que nem flores brancas
Num rosto que se eleva e ilumina
Um sorriso aquece a alma
Em momentos rodeados de sombras
Fazendo com que se restabeleça a calma
Um sorriso é um sinal de sintonia
Que um momento de encanto assombra
De espasmo, espanto e alegria
Um sorriso genuíno e aberto
Ultrapassa e quebra intransponíveis barreiras
E faz tudo ficar mais perto
Um sorriso traquina
Provoca ensejos e fascina
Um sorriso, por tudo o que "causa",
É um bom motivo para fazer uma pausa
E...sorrir para quem se ama...

31/01/2011

Olhando pela janela...



Olhando pela janela
Sinto o olhar ofuscado pela luz...
Olho para o mar lá ao fundo
Que reflecte o sol, essa grande estrela,
Sob um mar calmo e azul.
Solto um suspiro profundo...
Sinto o mundo e os sonhos
Que aos meus pés se deitam
Os meus olhos tornam-se risonhos
Sempre que com uma imagem se deleitam...
Eleva-me...Sente-me...
Olha-me...Decifra-me...
As minhas mãos levanto para abraçar
Esse mar colossal e imenso
Inspiro na tentativa de manter o momento suspenso
E ser a gaivota contra o sol a voar
Para pousar com uma gota do mar,
Leve e cheia de improviso
Prestes a inebriar todo o juízo
Para transformar o aqui e agora
No caminho que se abre numa nova aurora...

25/01/2011

Horizonte




Transpondo a linha do horizonte
Onde tudo acaba e tudo recomeça
Chego, por fim, a uma ponte...
Caminho com cuidado e sem pressa...


Passarei a linha do trópico,
Descobrirei novos lugares
E respirarei novos ares
Despertando o senso próprio


Novos ventos se avizinham,
Mudanças se adivinham
Se bem que incertas!!!
Esperam-me novas portas,
Estando agora preparada
A novos desafios
Seguindo, como sempre, no rio...

24/01/2011

Estrada de Sol



Com o rumorear das ondas
Contemplo a estrada de luz
Com pequenas estrelas brilhantes
A pensar em ti…à espera que me respondas
Guardo a imagem em contraluz
Mando-te beijos salgados e saltitantes
Que o vento e a maresia transportam
Olhando o vôo das gaivotas
Respiro o mesmo ar que tu respiras
E o vento e as gaivotas me confortam
O sol reflecte no mar pequenas ilhotas
De luz apenas entrecortadas pelas ondas
Um beijinho do mar me diz que conspiras…
Levada pelo vento cortante, sem saber,
Regresso ao meu porto seguro
Escondeste-te…e eu sem saber…
Viste-me…eu não te vi…
De repente alguém me chama e procuro…
Nada…estavas alí…
Ouço novamente a voz que me chama…
Vejo-te…e algo se inflama…
Num beijo recatado e contido
Olhamo-nos num silêncio atrevido
Cheios de sede e de desejo
Com notas de música suaves e inspiradoras
A estrada de sol continua a brilhar cheia de ansejo
E augura um horizonte com estrelas recompensadoras…

15/01/2011

Limpar a Alma


Limpo e torno a limpar
Apanho mais um fio
Desta teia de lembranças
Lembranças que ficam no ar
Como que à deriva num rio
Ao sabor da corrente,
À espera de algures desaguar
Por entremeio das minhas andanças
Teimando em me lembrar
Algo que já não importa
Que torna o meu caminho dormente
Mais um retrato,
Mais uma memória perdida
Rompe-se e rasga-se o trato
E a alma ergue-se amadurecida
Olho para trás e hesito...
São pedaços de vida
Que se soltam no ar
Que se diluem como grãos de areia
Rasgo  mais uma página...e mais outra...
E eís mais um capítulo prescrito
Vou largando o lastro
E apago o rastro
Do que já é inútil
E de tudo que agora se tornou fútil
Agora escrevo uma nova página
Escrevo mais leve e serena
E ouço uma nova cantilena
Que me eleva como uma pena
Rumo a uma nova viagem
Com nova força e coragem
E o passado encerrado

03/01/2011

Se uma gaivota voa...


A pensar me sento
No que fui e no que sou
Uma pergunta não me sai do pensamento:
Como foi que tudo se passou?
Olho para trás e repenso...
Nasci num dia de sol imenso
Cresci numa terra áspera e dura
Aprendi as coisas da vida com tristeza e candura
Encontrei pelo caminho muitas ervas daninhas
E fiz delas lições nas entrelinhas
Das muitas páginas que escrevi...
Mantive o meu rumo apesar do que vi e vivi:
Tenebrosas tempestades
Dias de nevoeiro intenso
Horas incertas e cheias de adversidades
Vi aos meus pés o abismo profundo e tenso...
Agarrei-me à Esperança
Que nunca me abandonou
Continuei a caminhar com confiança
E segui a estrela que até aqui me guiou
Hoje sou o que sou
Sou mulher menina e moça
Alegre, viva e solta
Que encanta e sonha...
Vivo na orla do mar
Na asa de uma gaivota
À espera de amar...

01/01/2011

Haja Luz


Uma pequena luz
É quanto basta para ver
Brilha na noite e reluz
E aconteceu o que era de prever
Nas últimas horas
Deu-se o encontro
Olhamos, falamos e abraçamos...
2010 findou assim as suas últimas horas
Num jardim despido e escuro
Cúmplice dos olhares e das palavras
Testemunha de desejos e do que começamos
Vemos os minutos a passar e procuro...
Procuro em ti os gestos, os olhares...as palavras
Após alguns desencontros
Já não há mais distância...
Agora será o que quisermos que seja...

22/12/2010

Quando o mar encontra a terra...



Fecha a porta
Deixa o mundo lá fora
E esqueçamos tudo o que é trivial
E concentremo-nos no que é real
Aqui e agora
Com tudo o que este momento comporta...
Como uma onda na praia
Em mim descansa e desmaia
Entranhando-te na mais fina areia
E a orla suavemente serpenteia...
Ergue-te inteiro e poderoso mas gentil
Para sentir essa maresia subtil
Que se anuncia com a maré vaza
E com a maré alta tudo extravaza...
Assistimos ao nascer do dia
Que a luz do sol irradia
Mirando a lua que lá em cima se apruma
Que ilumina o mar e a sua espuma
Que nos embala e o ritmo nos acompanha
Como se quisesse testemunhar esta façanha
De tamanho e força tal
Que provoca uma tempestade brutal
Em que não há vencedores nem vencidos
Mas apenas dois seres um ao outro rendidos...

20/12/2010

Escrito nas estrelas



Vejo-te através dos meus dedos
Falamos e trocamos segredos
E à distância construimos enredos
Por vezes trocamos confissões
Por meio de sábias afirmações
E embalados por várias canções
Sonhamos e falamos à distância
De acordo com a hora e circunstância
E, sózinhos, reflectimos sobre a consonância...
À parte pensamentos e sonhos
Sempre com momentos risonhos
Com pequenos passos,
Trocando abraços
Subimos numa escada ascendente
A um só caminho conducente
Com o auspício de uma estrela cadente...

11/12/2010

Vento mágico



O vento volta sempre
Assim como quem tem
Alguém no coração em mente
A natureza nada detém
Tudo conflui naturalmente
Tudo conspira para um caminho
No meio de perguntas e respostas
Espreita-se à espera que entre
Uma expressão com carinho
Colocando-se alegrias e tristezas expostas
Ao passo que mais umas linhas averbo
Não é um desafio
Mas sim um auspício
Que se anuncia com estrelas
Com mãos mágicas e belas
O vento, esse, volta sempre...

02/12/2010

A queda da máscara








Finalmente os meus olhos perceberam
A tua verdadeira natureza
Chegaste com mestria mascarada de pureza
Sempre dizendo coisas que se esperam…
Prometeste o paraíso debaixo das estrelas
Com o perfume de três rosas
Mas depressa desmanchaste as telas
Pintadas com frases ricas em sábias prosas
Deste com uma mão, tiraste com a outra
Debaixo de uma capa
De quem sabe das leis do Universo
E professa o bem universal
Primeiro seduziste e depois, à socapa,
Iniciaste um jogo perverso
Ora com uma, ora com outra
Sempre com a imagem de bom serviçal
Desvirtuas o divino
Subvertes o conhecimento a teu belo prazer
Com o teu ar adulterino
Fingindo um grande valor enobrecer
Hoje vejo-te como realmente és…
Um pobre tolo vestido de algo que não és,
Que engana e se engana
Sem ter noção que em vez de andar,
Que em vez de curar,
Tristeza e mágoa emana
E de joelhos te arrastas
Enquanto a luz de ti afastas

24/11/2010

O Errante à deriva


A tua prosápia e recusa
Foi a tua cegueira excusa
Em lutar pela felicidade
Não queres amar
Porque tudo desprezas
Enchendo o teu ego de vaidade
E de egoísmo sem par
E pelo caminho tudo pisas
Recusaste a porta que se abriu
E ignoraste a Estrela que já partiu
Partiu para outra constelação
Onde o brilho não é a devassidão
Onde não há jogadas mestras
Nem atitudes levianas e preversas
Perdeste a chave de conhecimento
Caíndo no pior do esquecimento:
Sobrevives no engano,
Alimentas o profano.

21/11/2010

Carta de Amor...



Tanta coisa para te dizer,
Outra tanta para te fazer…
Perco-me em pensamentos
Pensando em vários momentos
Os que ainda não aconteceram
E todos aqueles que já foram,
E que me elevaram a um estado tal
Em que a alegria foi total
Recordo o teu cheiro
Que me provoca um formigueiro
Desejando sempre ver-te
Para te sentir, para tocarte
Para passar no teu peito a minha mão
Sem que te apercebas da minha agitação
Para que o meu corpo possas sentir
Por causa das palavras que são dificeis de proferir
Na esperança que sintas o que a minha boca não diz
E que ouças os ecos dos meus pensamentos gentis
Quero ouvir o teu pulsar com o meu
Para alcançar o apogeu
Quero sentir o teu peito contra o meu
Para recordar o abraço que se deu
Quero olhar-te sem pressas
Para guardar a tua imagem enquanto não regressas
Quero a tua boca beijar
Para que sintas o meu corpo falar…
Falar o que sinto, mas que tenho medo de dizer
E olhar-te sem ter medo de nunca mais te ver
Cada vez que ficas mais perto
Tudo em mim fica mais desperto
E todas as pequenas coisas à minha volta
Deixam de interessar enquanto que o beijo se solta…

02/11/2010

Sabes quem sou?


Sabes quem sou?
Consegues ver-me?
Ou ficaste pelo óbvio,
Deixando-te deslumbrar pelo exterior?
Um ou outro olhou...
Mas nenhum conseguiu perceber-me.
Todos se drogam pelo mesmo ópio,
A ilusão e a aparência que esconde o interior
Onde me encontro
Onde simplesmente sou,
Sem capas, máscaras ou subterfúgios,
Ou artes mágicas cheias de encantamentos
Para ludibriar os que querem ser cegos.
Todos vêem o meu corpo e a minha pele,
Mas quem vê a minha alma?
Por vezes abro a porta
Por entre vários refúgios,
Por muitos momentos e pensamentos,
Penso que alguém tem o que é preciso...
Mas cedo se dá o desencontro
Que no mais recondito dos egos
Se mostra impiedoso e conciso.
Por vezes contorno uma dúvida remota
Para logo haver uma certeza que repele
O subliminar enganador
E de novo se instala a dor...
Continuas a não saber quem sou...
Preferes as velhas capas e dogmas
E apostas em jogos e enigmas
Que te levam sempre a ruas sem saída,
Consequência em que a tua razão nunca pensou,
Por isso continuo retraída...
Será que queres mesmo saber quem sou?

20/10/2010

Abrindo a Porta


Quero abrir uma porta
Cuja combinação desconheço
E ao não saber o que fazer
Sinto-me frustrada e entristeço…
De manhã até ao anoitecer
Busco a combinação da porta
Mas os números teimam em não aparecer.
Procuro no meio de palavras,
Procuro por entre gestos,
Procuro dentro do olhar,
Procuro algo que me guie.
Cansa e desespera esta busca
Porque obriga a demolir esta armadura
Que já se torna pesada e dura,
Cheia de memórias enferrujadas e abstractas
E tão gastas que já ninguém quer lembrar
Tenho que largar armas velhas e gastas
Para que um novo tempo se inicie.
Preciso de perder o medo
Para conseguir decifrar a combinação
Na sua mais infinita expressão.
Olho a porta novamente,
Encosto o ouvido à espera de algo perceber,
De sentir algo benevolente…
Oiço, em sussurro, um segredo…
“Vai…passo a passo… e abrirás a porta.”
Assim será o caminho a percorrer.

12/09/2010

A vontade de um beijo



Querias atravessar o oceano
Para um beijo me dar.
Pedi para entregar
O beijo ao vento...

Entregaste mais do que um beijo
Pois, quando pelo mar passava
A suave brisa em vento se transformava
E cumprido estava o teu desejo.

Quando um beijo me quiseres dar,
E grande seja a distância
Pensa no mar...
Olha o "beijo" que te dou na ânsia
Do teu desejo apaziguar...

29/08/2010

Amar...

Dá liberdade a quem amas, se voltar é porque é teu, se não voltar é porque nunca te pertenceu.




Amar não significa prender,
Mas sim o acto de libertar
Sem medo do outro perder.
Se não houver liberdade,
É o mesmo que cortar as asas
A um pássaro sem dó nem piedade.
Sem liberdade para voar,
O pássaro definha e morre
Porque os dias e as horas
Se arrastam sem cor e alegria,
Num lamento de um gato que mia,
Triste por estar preso...
Amar sem dar espaço
Sufoca e entorpece
Murchando o sentimento doce
Que outrora nasceu num sorriso,
Numa troca de olhares,
Criando uma ansiedade num desejo.
É urgente parar de ter medo,
É necessário dar asas,
É imperioso libertar
Para poder amar livremente.

Terra Encantada


Ao longe levanta-se a bruma,
Sorrateira, fintando montanhas e vales,
Para dar lugar ao sol, que se apruma...
Infiltra, suavemente, seus raios nos caules
Da erva fresca de orvalho brilhante,
Acordando a floresta e seus habitantes:
Fadas de delicadas asas,
Transparentes e luzíias,
Cantando doces melodias;
Duendes endiabrados e saltitantes,
Correndo desenfreados pelas árvores;
Unicórnios, brancos como a neve,
Andando calmamente por entre beija-flores...
Tudo desperta lentamente.
O arco íris surge dando vida e cor
A um céu azul cheio de borboletas,
Esvoaçando de flor em flor.
Eu sou o vento, aquele que embala
Docemente as folhas e as flores,
Numa dança graciosa,
Levando, a quem quiser ouvir,
Os bons dias de mais um dia
Na terra encantada.

24/08/2010

Lucidez




O dom da lucidez...
Há quem a procure durante uma vida.
Quem a encontra sente acidez
E tenta, desperadamente,
Retornar à tranquilidade perdida.
Já não há caminho de volta,
Pois uma vez desperta a mente
Nada voltará a ser como dantes...
Ganha-se uma consciência nova,
Expulsam-se convicções pedantes,
Toscas e sem sentido.
É um processo lento e doloroso...
É um sangrar de alma repetido,
Por dias a fio em que o tempo, vagaroso,
Teima em se arrastar...
Nada é complacente,
Não se vislumbra o fim, sem data assente...
E mais um dia passa
Para a noite dar lugar,
Propícia à reflexão,
Inimiga da loucura
E irmã da razão...
Lentamente, prossegue-se a procura
Do equilíbrio que tarda...
Não fosse a perseverança,
Sempre escondida mas resistente,
A lucidez, esse estado por muitos cobiçado,
Jamais seria alcançado,
Tornando-se numa inútil amarra
Onde se caíria num abismo permanente.