02/09/2011
Quarenta
"Best way to drown out the sounds of your fears is with the song of your dreams" - Robin Sharma
No meu primeiro ano de vida
Pouco ou nada me lembro
No entanto sou agradecida
Por ter nascido em Setembro
Aos cinco anos já era alegre
Sempre a saltar e a brincar
E em breve iria para a escola estudar
E aprender que o sol não esmorece
Aos dez anos, mais crescida
Uma nova etapa comecei
Já não era menina nem ainda moça
Tudo era novo, tudo era descoberta
E a vida difícil parece
Aos treze um rapaz amei
E para o amor despertei
No meio de estudos e amizades
Me deparei com a vida e sua grandiosidade
Seguindo entre tristezas e alegrias
Quando aos vinte cheguei
Fiz o meu voo de batismo...
Mal sabia eu que asas já tinha...
Segui o meu caminho com força,
Com impulsividade e valentia
E chego aos trinta
Algo inquieta, sem que satisfação sinta
Porque algo me escapava...
Encontrei pedras, muros, escadas, subidas,
Obstáculos, amores, desamores
E muitas outras dificuldades
Porém, chegou o momento e parei...
Recolhi-me para de mim cuidar
Aprender a ver a vida com outro olhar
Por dentro me renovei
E desta forma chego aos QUARENTA:
Com energia, com entusiasmo,
Com fé que tudo vale a pena
E, acima de tudo, SERENA!
20/08/2011
Eu sou...
Eu sou única
Sou como o sol quando nasce
Estendo os meus braços
Como se a vida te devolvesse
Após um longo torpor de tranquilidade
Sou como a fonte de água fresca
Que o suave cair de cada gota
Te eleva a uma tal serenidade
E a tua moral se sente principesca
Sou como a framboesa selvagem
Apesar de rodeada de espinhos
Sou a recompensa no final da viagem
Sou como o mar
Cheia de encanto e mistérios
Repleta de pequenos e grandes tesouros para dar
Sou como as ondas
Ora calma, ora forte
Acabando na praia onde me deito
Sem nunca desistir
Por mais alta que sejam as montanhas
Sou como a noite de lua cheia
Que te ilumina e te inebria
Sempre com vontade de me olhar e admirar
Que te preenche e borboloteia
Sou como as estrelas
Que serpenteiam o céu...por vezes escondidas
Pelas nuvens...mas estou sempre lá
E à noite te guio com as minhas sentinelas
Estou à tua espera...
02/07/2011
Girassol Sou
Um girassol
Cresce bem alto
Para receber o sol
Cresce mais alto do que as árvores
Para todos os dias não dar um salto
Recebendo os seus raios de energia
Sendo a rainha das flores
Todos os dias o girassol permanece
Alto, forte e a sua luz irradia
Num esplêndido amarelo
Como se estivesse no alto de um castelo
Mirando, com a sua grandeza, a natureza
Sempre com mestria e delicadeza
Girassol sou e serei
Pois outro destino tomei
Aprendi com o girassol e com a sua beleza
A receber com um sorriso cada novo dia
A ser forte seguindo o seu modelo
A ser alta em valores que enaltece
A ser uma "estrela" na minha essência
Que com paciência e sapiência
Abro as minhas pétalas
Grandes e amarelas
Para receber, dar e aprender
A quem cruzar o meu caminho e o meu viver...
24/05/2011
A Minha Criança
Menina bonita e loira
Que no campo colhes malmequeres
Correndo pelo meio das flores
Rodopias por entre montes de pétalas
E no teu ar feliz
Uma chuva amarela de flores cai sobre ti
E dizes cantando:
"São os raios de sol!
São os raios do sol que descem do céu
Até à terra!"
Cantas e encantas todos os que passam
Com malmequeres fazes colares
Que ofereces com doçura e ternura
A quem te retribui o sorriso
Alegre e vivo
Danças ao som do vento
Com o canto dos melros
E tornas a colher malmequeres
E desta feita fazes pulseiras
Que enfias nos teus pequenos braços
E os agitas simulando o vôo das aves
Assim serás sempre, pequena, uma eterna criança,
Linda...encantadora...doce...
Alegre...sorridente...inocente...
Feliz...e AMADA!
02/05/2011
Borboleta voa...voa...voa
Serenidade e paz senti
Ao acordar e ao abrir a janela...
De repente, uma luz singela
Desceu sobre mim e ouvi:
Voa, voa, voa...Borboleta voa!
Estás livre...és livre...VOA!
Faz-te à vida como uma leoa:
Como uma força da natureza,
Cheia de porte e nobreza.
A tua alegria canta e apregoa,
Com a tua essência pura abençoa
Todos aqueles que, delicadamente,
Te souberem olhar para além das tuas asas,
Te souberem cuidar com desvelo,
Te souberem amar incondicionalmente,
Te souberem respeitar sem agravo nem apelo,
Te souberem dar o enorme valor que extravazas!
Dei-me conta que flutuava
Elevada por um tal estado...
Era a insustentável leveza do ser...
Pensava que acordada sonhava...
Não...estava a renascer
De um longo sono velado
Que me cuidara e transformara
E que das sombras me tomara
Para me devolver à liberdade,
Ao direito de ser e à felicidade...
02/04/2011
A Dor...
A dor veio de mansinho
Até que se instalou voraz e corrosiva
E nem o mar e o seu ar marinho
Lhe deram paz, alento e ânimo e carinho
E o seu corpo tremia tamanha a onda convulsiva
Que a acometeu perante o autismo a que fora votada
Todo o seu esforço para ir ao seu encontro ficou igual a nada...
As palavras...os gestos...as atitudes...as pequenas e simples surpresas
Abriu-lhe o coração, já de si mitigado, despiu-se revelando o seu ser e as suas fraquezas
Apenas recebeu em troca a distância...e depois chegou a incerteza
Com a promessa que um dia tudo se dissiparía, tudo seria diferente...
A mensagem que dele recebia sempre era eloquente
Mas a distância transformava-se em crueza
E nem as palavras de apelo que proferira
Tiveram o condão de o acordar,
De o arrancar do fundo do poço com que a traíra...
Eís que ela, exausta e carente, decide deixá-lo...
Triste e sem saber como tirar aquela dor que a tomara de abalo
Fechou as portas da pequena história que parecia de encantar
E rumou novamente para o seu caminho...
Onde segue as águas do seu rio
Esperando a sua alma lavar
De tão pesada ferida
De tanta dor sentida
28/03/2011
A tormenta...
No meio de uma ponte me vejo
Entre a verdade e a mentira
Contra a mentira luto e me protejo
Mas a verdade para a tristeza me atira
E sou forçada a procurar abrigo
Para recatadamente as minhas mágoas chorar
Convulsivamente...maldigo...me fatigo
Com os olhos marejados de lágrimas
Tento decidir que lado devo optar
E apenas vejo o rio das minhas lástimas
Tento...mais uma vez...mas tudo é incerteza e confusão
Entre a mentira e a verdade
Tudo é difuso...as emoções em convulsão...
Procuro o meu refúgio
Para fugir, por algum tempo, desta crueldade
Que parece desaguar na falsidade e fatalidade
Terá sido tudo um leviano subterfúgio???????
As perguntas e dúvidas são como monstros
Surgem de mansinho...atormentam...
Respostas não as encontro...só desencontros!!!!!
Continuo no meu porto seguro
À beira praia, sob a protecção do mar
Onde um desejo murmuro...
Que as dúvidas cessem e eu consiga caminhar
Quer seja verdade...quer seja mentira...
04/02/2011
Um Sorriso...
"Dou-te o que tenho de melhor...o meu sorriso"
Um sorriso vale por mil palavras,
Um sorriso revela pequenas estrelas cintilantes
Que cá de dentro emergem cativantes
Brotando que nem flores brancas
Num rosto que se eleva e ilumina
Um sorriso aquece a alma
Em momentos rodeados de sombras
Fazendo com que se restabeleça a calma
Um sorriso é um sinal de sintonia
Que um momento de encanto assombra
De espasmo, espanto e alegria
Um sorriso genuíno e aberto
Ultrapassa e quebra intransponíveis barreiras
E faz tudo ficar mais perto
Um sorriso traquina
Provoca ensejos e fascina
Um sorriso, por tudo o que "causa",
É um bom motivo para fazer uma pausa
E...sorrir para quem se ama...
31/01/2011
Olhando pela janela...
Olhando pela janela
Sinto o olhar ofuscado pela luz...
Olho para o mar lá ao fundo
Que reflecte o sol, essa grande estrela,
Sob um mar calmo e azul.
Solto um suspiro profundo...
Sinto o mundo e os sonhos
Que aos meus pés se deitam
Os meus olhos tornam-se risonhos
Sempre que com uma imagem se deleitam...
Eleva-me...Sente-me...
Olha-me...Decifra-me...
As minhas mãos levanto para abraçar
Esse mar colossal e imenso
Inspiro na tentativa de manter o momento suspenso
E ser a gaivota contra o sol a voar
Para pousar com uma gota do mar,
Leve e cheia de improviso
Prestes a inebriar todo o juízo
Para transformar o aqui e agora
No caminho que se abre numa nova aurora...
25/01/2011
Horizonte
Transpondo a linha do horizonte
Onde tudo acaba e tudo recomeça
Chego, por fim, a uma ponte...
Caminho com cuidado e sem pressa...
Passarei a linha do trópico,
Descobrirei novos lugares
E respirarei novos ares
Despertando o senso próprio
Novos ventos se avizinham,
Mudanças se adivinham
Se bem que incertas!!!
Esperam-me novas portas,
Estando agora preparada
A novos desafios
Seguindo, como sempre, no rio...
24/01/2011
Estrada de Sol
Com o rumorear das ondas
Contemplo a estrada de luz
Com pequenas estrelas brilhantes
A pensar em ti…à espera que me respondas
Guardo a imagem em contraluz
Mando-te beijos salgados e saltitantes
Que o vento e a maresia transportam
Olhando o vôo das gaivotas
Respiro o mesmo ar que tu respiras
E o vento e as gaivotas me confortam
O sol reflecte no mar pequenas ilhotas
De luz apenas entrecortadas pelas ondas
Um beijinho do mar me diz que conspiras…
Levada pelo vento cortante, sem saber,
Regresso ao meu porto seguro
Escondeste-te…e eu sem saber…
Viste-me…eu não te vi…
De repente alguém me chama e procuro…
Nada…estavas alí…
Ouço novamente a voz que me chama…
Vejo-te…e algo se inflama…
Num beijo recatado e contido
Olhamo-nos num silêncio atrevido
Cheios de sede e de desejo
Com notas de música suaves e inspiradoras
A estrada de sol continua a brilhar cheia de ansejo
E augura um horizonte com estrelas recompensadoras…
15/01/2011
Limpar a Alma
Limpo e torno a limpar
Apanho mais um fio
Desta teia de lembranças
Lembranças que ficam no ar
Como que à deriva num rio
Ao sabor da corrente,
À espera de algures desaguar
Por entremeio das minhas andanças
Teimando em me lembrar
Algo que já não importa
Que torna o meu caminho dormente
Mais um retrato,
Mais uma memória perdida
Rompe-se e rasga-se o trato
E a alma ergue-se amadurecida
Olho para trás e hesito...
São pedaços de vida
Que se soltam no ar
Que se diluem como grãos de areia
Rasgo mais uma página...e mais outra...
E eís mais um capítulo prescrito
Vou largando o lastro
E apago o rastro
Do que já é inútil
E de tudo que agora se tornou fútil
Agora escrevo uma nova página
Escrevo mais leve e serena
E ouço uma nova cantilena
Que me eleva como uma pena
Rumo a uma nova viagem
Com nova força e coragem
E o passado encerrado
03/01/2011
Se uma gaivota voa...
A pensar me sento
No que fui e no que sou
Uma pergunta não me sai do pensamento:
Como foi que tudo se passou?
Olho para trás e repenso...
Nasci num dia de sol imenso
Cresci numa terra áspera e dura
Aprendi as coisas da vida com tristeza e candura
Encontrei pelo caminho muitas ervas daninhas
E fiz delas lições nas entrelinhas
Das muitas páginas que escrevi...
Mantive o meu rumo apesar do que vi e vivi:
Tenebrosas tempestades
Dias de nevoeiro intenso
Horas incertas e cheias de adversidades
Vi aos meus pés o abismo profundo e tenso...
Agarrei-me à Esperança
Que nunca me abandonou
Continuei a caminhar com confiança
E segui a estrela que até aqui me guiou
Hoje sou o que sou
Sou mulher menina e moça
Alegre, viva e solta
Que encanta e sonha...
Vivo na orla do mar
Na asa de uma gaivota
À espera de amar...
01/01/2011
Haja Luz
Uma pequena luz
É quanto basta para ver
Brilha na noite e reluz
E aconteceu o que era de prever
Nas últimas horas
Deu-se o encontro
Olhamos, falamos e abraçamos...
2010 findou assim as suas últimas horas
Num jardim despido e escuro
Cúmplice dos olhares e das palavras
Testemunha de desejos e do que começamos
Vemos os minutos a passar e procuro...
Procuro em ti os gestos, os olhares...as palavras
Após alguns desencontros
Já não há mais distância...
Agora será o que quisermos que seja...
22/12/2010
Quando o mar encontra a terra...
Fecha a porta
Deixa o mundo lá fora
E esqueçamos tudo o que é trivial
E concentremo-nos no que é real
Aqui e agora
Com tudo o que este momento comporta...
Como uma onda na praia
Em mim descansa e desmaia
Entranhando-te na mais fina areia
E a orla suavemente serpenteia...
Ergue-te inteiro e poderoso mas gentil
Para sentir essa maresia subtil
Que se anuncia com a maré vaza
E com a maré alta tudo extravaza...
Assistimos ao nascer do dia
Que a luz do sol irradia
Mirando a lua que lá em cima se apruma
Que ilumina o mar e a sua espuma
Que nos embala e o ritmo nos acompanha
Como se quisesse testemunhar esta façanha
De tamanho e força tal
Que provoca uma tempestade brutal
Em que não há vencedores nem vencidos
Mas apenas dois seres um ao outro rendidos...
20/12/2010
Escrito nas estrelas
Vejo-te através dos meus dedos
Falamos e trocamos segredos
E à distância construimos enredos
Por vezes trocamos confissões
Por meio de sábias afirmações
E embalados por várias canções
Sonhamos e falamos à distância
De acordo com a hora e circunstância
E, sózinhos, reflectimos sobre a consonância...
À parte pensamentos e sonhos
Sempre com momentos risonhos
Com pequenos passos,
Trocando abraços
Subimos numa escada ascendente
A um só caminho conducente
Com o auspício de uma estrela cadente...
11/12/2010
Vento mágico
O vento volta sempre
Assim como quem tem
Alguém no coração em mente
A natureza nada detém
Tudo conflui naturalmente
Tudo conspira para um caminho
No meio de perguntas e respostas
Espreita-se à espera que entre
Uma expressão com carinho
Colocando-se alegrias e tristezas expostas
Ao passo que mais umas linhas averbo
Não é um desafio
Mas sim um auspício
Que se anuncia com estrelas
Com mãos mágicas e belas
O vento, esse, volta sempre...
02/12/2010
A queda da máscara
Finalmente os meus olhos perceberam
A tua verdadeira natureza
Chegaste com mestria mascarada de pureza
Sempre dizendo coisas que se esperam…
Prometeste o paraíso debaixo das estrelas
Com o perfume de três rosas
Mas depressa desmanchaste as telas
Pintadas com frases ricas em sábias prosas
Deste com uma mão, tiraste com a outra
Debaixo de uma capaDe quem sabe das leis do Universo
E professa o bem universal
Primeiro seduziste e depois, à socapa,
Iniciaste um jogo perverso
Ora com uma, ora com outra
Sempre com a imagem de bom serviçal
Desvirtuas o divino
Subvertes o conhecimento a teu belo prazer
Com o teu ar adulterino
Fingindo um grande valor enobrecer
Hoje vejo-te como realmente és…
Um pobre tolo vestido de algo que não és,
Que engana e se engana
Sem ter noção que em vez de andar,
Que em vez de curar,
Tristeza e mágoa emana
E de joelhos te arrastas
Enquanto a luz de ti afastas
24/11/2010
O Errante à deriva
A tua prosápia e recusa
Foi a tua cegueira excusa
Em lutar pela felicidade
Não queres amar
Porque tudo desprezas
Enchendo o teu ego de vaidade
E de egoísmo sem par
E pelo caminho tudo pisas
Recusaste a porta que se abriu
E ignoraste a Estrela que já partiu
Partiu para outra constelação
Onde o brilho não é a devassidão
Onde não há jogadas mestras
Nem atitudes levianas e preversas
Perdeste a chave de conhecimento
Caíndo no pior do esquecimento:
Sobrevives no engano,
Alimentas o profano.
21/11/2010
Carta de Amor...
Tanta coisa para te dizer,
Outra tanta para te fazer…
Perco-me em pensamentos
Pensando em vários momentos
Os que ainda não aconteceram
E todos aqueles que já foram,
E que me elevaram a um estado tal
Em que a alegria foi total
Recordo o teu cheiro
Que me provoca um formigueiro
Desejando sempre ver-te
Para te sentir, para tocarte
Para passar no teu peito a minha mão
Sem que te apercebas da minha agitação
Para que o meu corpo possas sentir
Por causa das palavras que são dificeis de proferir
Na esperança que sintas o que a minha boca não diz
E que ouças os ecos dos meus pensamentos gentis
Quero ouvir o teu pulsar com o meu
Para alcançar o apogeu
Quero sentir o teu peito contra o meu
Para recordar o abraço que se deu
Quero olhar-te sem pressas
Para guardar a tua imagem enquanto não regressas
Quero a tua boca beijar
Para que sintas o meu corpo falar…
Falar o que sinto, mas que tenho medo de dizer
E olhar-te sem ter medo de nunca mais te ver
Cada vez que ficas mais perto
Tudo em mim fica mais desperto
E todas as pequenas coisas à minha volta
Deixam de interessar enquanto que o beijo se solta…
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